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ABERTURA COMERCIAL
Vendida como “modernização”, a abertura comercial neoliberal é uma escolha política de desproteção da indústria e do emprego local. A promessa é que produtos importados mais baratos trariam bem-estar. A realidade é o desmonte do parque industrial, a substituição de bons empregos por bicos precários e a condenação do país a ser eterno exportador de matéria-prima. Não é “abertura”, é rendição da soberania econômica disfarçada de livre mercado.
ABORTO (como significante político)
Na guerra cultural da extrema direita, “aborto” deixou de ser um procedimento médico para virar o significante máximo do mal. Não se debate saúde pública ou autonomia feminina: grita-se “assassino de crianças” ou “agenda anti-vida” para mobilizar afetos e eleger deputados. É uma palavra-ônibus que condensa todos os pânicos morais e serve para demonizar a esquerda sem precisar discutir economia, desigualdade ou racismo. A defesa da “vida” para na placenta; depois do nascimento, a extrema direita vota contra creche, merenda e Bolsa Família.
Abstinência
Dizem que o Estado não pode dar tudo, que é preciso aprender a viver com menos, que a “cultura do direito” precisa ser substituída pela “cultura da responsabilidade”. Que o povo precisa se adaptar à nova realidade de escassez. Mas a abstinência de direitos não é uma fatalidade econômica, mas uma escolha política. O Estado tem dinheiro — ele só escolhe gastá-lo com outras coisas: subsídios a grandes empresas, juros da dívida pública, isenções fiscais para os ricos, financiamento de armas e repressão. A abstinência de direitos é um projeto: esvaziar o Estado de suas funções sociais para que o mercado ocupe esses espaços — e lucre com eles. Quando você aprende a viver com menos, os ricos aprendem a acumular mais. A abstinência é o discurso que naturaliza a miséria.
Abstencionismo
Incentivam que você não vote ou não participe da política, como se estivesse “exercendo sua liberdade” ou “protestando contra o sistema”. Que a política é suja e que ficar de fora é uma forma de resistência. Mas o abstencionismo favorece o status quo. Quando você se retira da política, você abre espaço para que os poderosos decidam por você. O discurso da “política suja” é frequentemente incentivado pelos próprios interessados em manter o poder, porque sabem que uma população desmobilizada é mais fácil de governar. O abstencionismo não é resistência; é abandono do campo de batalha.
Abuso de Poder
Afirmam com todas as letras que as autoridades precisam agir com firmeza, que a lei deve ser aplicada sem hesitação e que quem está no poder tem legitimidade para tomar decisões difíceis. Dizem que “excessos” são exceções, não regra. Mas o abuso de poder é a norma em sistemas que concentram autoridade sem controle efetivo. Policiais que torturam, juízes que agem com viés político, patrões que humilham, líderes que perseguem opositores — todos esses são exemplos de abuso de poder. O discurso da “firmeza” é a justificativa para violência institucional. O abuso de poder não é um desvio; é a ferramenta que mantém o medo e a subordinação.
Acionista
Exaltam o acionista como o verdadeiro dono da empresa, que corre riscos ao investir seu capital e que, portanto, merece o retorno financeiro. Que sem acionistas, não haveria investimento, emprego ou crescimento. Mas o verdadeiro risco é do trabalhador. Quem perde o emprego, adoece, tem a vida desestruturada com uma demissão, é o trabalhador — não o acionista. O acionista pode diversificar seus investimentos, proteger seu patrimônio, ter vários negócios. O trabalhador tem apenas sua força de trabalho. Além disso, o lucro do acionista é a exploração do trabalho: ele ganha dinheiro sem produzir nada, apenas porque possui títulos. O acionista é a personificação do capital parasitário: suga a riqueza gerada por quem realmente trabalha.
#Accountability#
Palavra em inglês que o discurso gerencial adora: “precisamos de mais accountability”. A tradução literal é “prestação de contas”, mas na boca do opressor vira uma arma de vigilância e punição sobre o serviço público. Só se cobra “accountability” do professor, do médico, do funcionário público, nunca da empresa que sonega impostos ou do banco que cobra juros abusivos. É uma transparência seletiva que serve para culpar o trabalhador e blindar o verdadeiro poder econômico.
Acumulação Flexível
O termo acadêmico parece neutro, mas descreve uma brutalidade cotidiana: é o jeito chique de dizer que o capital te quer sem carteira assinada, sem jornada fixa, disponível 24 horas no aplicativo, mas sem direito nenhum. A “flexibilidade” é sempre do patrão. Para você, é a vida instável, a renda incerta e a angústia permanente. É a acumulação do capital com a flexibilização da sua existência.
Acumulação Primitiva
Naturalizam a riqueza como fruto da capacidade, do esforço ou da inovação de alguns. Que o capital cresce naturalmente no mercado. Mas a acumulação capitalista sempre depende de violência e expropriação: cercamento de terras comunais, escravidão, roubo de recursos naturais, privatização de bens públicos, exploração do trabalho. O capital não se acumula por mérito; acumula-se porque uns têm o poder de extrair riqueza de outros. Esse processo é contínuo: cada nova onda de privatizações, cada flexibilização trabalhista, cada desregulamentação é uma forma de acumulação primitiva contemporânea.
Adestramento Social
Pregam a disciplina como fundamental para o progresso, educando a população para a civilidade, a obediência e o respeito às regras. Mas o adestramento social é a formação de sujeitos dóceis, que não questionam, não se organizam, não resistem. É o controle dos corpos e das mentes através de escolas, prisões, fábricas, hospitais e meios de comunicação. O adestramento transforma seres humanos em engrenagens de uma máquina que não lhes pertence.
Adversário
Decretam que quem não está conosco está contra nós, que o inimigo interno precisa ser eliminado. Apresentam o adversário como uma ameaça existencial — alguém que quer destruir a família, a pátria, a ordem. Usam um tom de guerra: “combate ao inimigo”, “limpeza”, “depuração”. Mas essa construção do “adversário” é a base do fascismo. Qualquer pessoa que pense diferente — o ativista, o professor, o sindicalista, o jornalista crítico, o líder comunitário — é transformada em alvo. O adversário deixa de ser um oponente político, alguém com quem se pode discordar e debater, e passa a ser um ser desumano, que merece ser aniquilado. É o mecanismo clássico: criar um inimigo externo ou interno para unificar o rebanho em torno de um líder autoritário. Assim, a violência política se torna legítima, e a repressão vira “defesa da nação”.
AFEGÃO MÉDIO
Expressão popularizada por influenciadores e programas de rádio de extrema direita para se referir ao “cidadão comum” que não entende nada de política. “Traduzir para o afegão médio” soa democrático, mas é profundamente classista: equivale a dizer que o povo é burro e precisa de um líder que fale simplificado. O termo é uma persona publicitária importada que reduz o debate público a um teatro de idiotas. No fundo, despreza a inteligência popular enquanto finge falar em nome dela.
Agenda (Agenda Globalista | Agenda Woke | Agenda 2030)
“Tem uma agenda por trás disso.” Quando fascistas digitais falam em “agenda”, estão acionando a lógica da conspiração: um grupo maligno (os “globalistas”, os “comunistas”, o “movimento LGBTQIA+”) planeja secretamente destruir a civilização cristã ocidental. A Agenda 2030 da ONU vira um plano satânico. É um significante vazio que pode ser preenchido com qualquer pânico moral do momento. Assim, desqualificam qualquer avanço social como “imposição de agenda”, silenciando o debate com paranoia.
Ajuda Humanitária
Disfarçam como um ato de solidariedade para levar assistência a populações em situação de emergência — fome, guerra, desastres naturais. Vestem a ajuda com um discurso moral de compaixão e bondade. Mas a ajuda humanitária, especialmente quando conduzida por países ricos ou instituições financeiras internacionais, é frequentemente uma extensão da política imperialista. Ela vem com condições: abrir o mercado nacional para empresas estrangeiras, privatizar serviços públicos, adotar medidas neoliberais, reduzir direitos trabalhistas e ambientais. A ajuda vira moeda de troca política. Além disso, a ajuda humanitária nunca resolve a pobreza estrutural — porque resolvê-la exigiria redistribuir terra, renda e poder. O sistema não quer isso. Por isso, a ajuda é sempre temporária, paliativa e insuficiente.
Ajuste Fiscal
Vendem a ideia que o ajuste fiscal é um conjunto de medidas técnicas para controlar a inflação, equilibrar as contas públicas e garantir a “confiança do mercado”. Apresentam como uma cirurgia necessária, dolorosa, mas que trará saúde econômica no futuro. Usam o argumento de que “não há dinheiro” e que é preciso “sacrificar hoje para colher amanhã”. Mas o ajuste fiscal é, na prática, um pacote que congela salários de servidores, corta investimentos sociais, aumenta impostos indiretos (como ICMS e PIS/COFINS, que pesam mais no bolso de quem ganha menos) e reduz direitos trabalhistas. Enquanto isso, as grandes fortunas e os lucros empresariais seguem intocados ou são beneficiados com novas isenções. O “mercado” que eles dizem que precisa de confiança não é você, não é o povo — são grandes investidores, bancos e fundos de hedge. A “confiança do mercado” significa: os ricos precisam acreditar que continuarão tendo privilégios.
Alarmismo
Bradam sobre os perigos do “comunismo”, do “inimigo interno”, da “invasão cultural”. Que a nação está sob ameaça e que é preciso agir com urgência. Mas o alarmismo é uma tática para criar pânico e justificar medidas autoritárias. Ao exagerar o perigo, o opressor consegue aprovar leis de emergência, restringir liberdades, perseguir opositores. O alarmismo é a tempestade que a extrema direita usa para navegar. Quanto maior o medo, mais fácil é vender a ditadura como salvação.
Alienação (neoliberal)
Propagam que você é livre, autônomo e dono do seu destino. Que o sucesso depende apenas do seu esforço, do seu talento e da sua capacidade de superar desafios. Mas você foi lançado em um mundo sem direitos, onde trabalha mais, ganha menos e acumula dívidas. O lucro do seu trabalho vai para o patrão, o banco, o dono do aplicativo — e você ainda se culpa por não ter conseguido “vencer”. A “liberdade” que o neoliberalismo promete não é liberdade de escolha real; é liberdade para ser explorado sem proteção, liberdade para competir com seu vizinho, liberdade para ser descartado quando não for mais útil. A alienação neoliberal é o que faz você acreditar que o problema é individual — seu cansaço, sua dívida, seu desemprego — e não a estrutura de um sistema feito para concentrar riqueza nas mãos de poucos.
Alienação (fascista)
Intimidam você a obedecer ao líder, amar a pátria e combater o inimigo interno. Que a salvação está na entrega total à vontade do líder e na união da nação contra os “inimigos do povo”. Mas o fascismo sequestra a sua revolta. Sua raiva legítima contra a exploração, o desemprego, a violência, é desviada para bodes expiatórios — o imigrante, o comunista, o ativista, o pobre que quer direitos. Você entrega sua capacidade de pensar criticamente e passa a repetir slogans, a odiar quem mandam odiar, a sacrificar sua liberdade em nome de uma “grandeza nacional” que nunca vem. Enquanto isso, o verdadeiro opressor — o sistema econômico que concentra riqueza e poder — permanece intocado, porque você não o questiona. No fascismo a alienação é levada ao extremo.
Alienação Parental (como arma política)
Na boca de militantes da extrema direita e setores fundamentalistas, a “alienação parental” virou instrumento para desacreditar mães que denunciam abuso. Acusa-se a mãe de “programar” a criança contra o pai, mesmo quando há violência comprovada. É uma inversão perversa: o agressor se fantasia de vítima do sistema. Serve para manter a autoridade patriarcal dentro de casa enquanto se posa de defensor da família. O judiciário, muitas vezes, compra o discurso e entrega a guarda ao abusador.
Alerta de Segurança
O discurso fascista depende do medo. O “alerta de segurança” constante — na TV, nos grupos de WhatsApp, nos pronunciamentos de milícias — não serve para proteger ninguém. Serve para manter a população aterrorizada e pedindo mais polícia, mais armas, mais Estado penal. É uma ferramenta de controle social que transforma o vizinho pobre num inimigo e justifica a violência preventiva. A segurança vira obsessão, e a liberdade, a primeira vítima.
Aliança do Mal
Variante do “eixo do mal”, é a retórica que divide o mundo entre “nós” (puros) e “eles” (demoníacos). Pode ser aplicada a países, a movimentos sociais ou a adversários políticos internos. Ao nomear o outro como “maligno”, elimina-se a possibilidade de diálogo e justifica-se qualquer violência. Não se negocia com o mal; elimina-se o mal. É a desumanização que precede todos os genocídios.
Alívio da Pobreza
Soa generoso, mas é um veneno conceitual. O neoliberalismo ama o “alívio” e odeia “erradicação da pobreza”. Aliviar é tornar a miséria suportável com um cartão de auxílio mínimo, sem mexer um milímetro na estrutura que produz a miséria: a concentração de terra, a sonegação fiscal dos bilionários, a financeirização da vida. É filantropia de marketing que trata a desigualdade como um azar passageiro, e não como o motor que move o sistema. Alivia para não transformar.
Ameaça Comunista
O fantasma que a extrema direita agita há um século. Tudo o que desafia a propriedade privada e a hierarquia social é taxado de “ameaça comunista” — desde a merenda escolar até o SUS. É um rótulo elástico que dispensa argumentos: cola-se a etiqueta vermelha e encerra-se o debate. Nos dias de hoje, “comunista” é qualquer um que defenda direitos, vacinas, ciência ou democracia. A acusação não descreve uma ideologia, é apenas um grito de guerra tribal.
Ameaça Externa
Na cartilha do líder autoritário, inventar um inimigo externo é a forma mais rápida de unir a tribo e calar dissidências internas. Pode ser o “globalismo”, o “comunismo internacional”, os “imigrantes invasores”. A função é sempre a mesma: desviar a atenção da exploração econômica real e justificar o orçamento militar e a vigilância. O medo do “de fora” é o cimento do autoritarismo.
Ameaça Existencial
Inventam que a nação, a raça ou a civilização ocidental correm perigo de extinção. Que é preciso uma resposta radical para salvar o que resta. Mas a “ameaça existencial” é uma construção fantasiosa para justificar a eliminação de adversários e a concentração de poder. Fascistas sempre inventam catástrofes iminentes para obter apoio para suas barbáries. A ameaça existencial é a cortina de fumaça que esconde o verdadeiro projeto: destruir a democracia e instalar a tirania.
Ameaça Globalista
Primo sofisticado da “ameaça comunista”, é o carro-chefe dos ideólogos da nova direita, como Olavo de Carvalho e Ernesto Araújo. “Globalismo” seria um complô para destruir a soberania nacional, a família e a religião. É uma teoria da conspiração totalizante: tudo o que desagrada — direitos LGBTQIA+, vacinas, regulação ambiental — é “globalismo”. A função é clara: criar um inimigo invisível e onipresente que justifique qualquer retrocesso.
Ameaça à Liberdade
A liberdade é uma das palavras mais bonitas e mais disputadas da política. Por isso mesmo, pode ser usada para defender projetos muito diferentes. No discurso neoliberal, impostos, regulamentações, direitos trabalhistas e políticas públicas podem ser apresentados como ameaças à liberdade individual ou empresarial. No discurso neofascista, medidas de proteção social, imprensa independente, movimentos sociais ou direitos de minorias podem ser tratados como obstáculos à liberdade do “cidadão comum”. O problema está em falar de liberdade sem perguntar quem possui poder suficiente para exercê-la. Uma grande empresa e um trabalhador podem ser igualmente chamados de “livres”, mas suas possibilidades concretas de escolha são muito diferentes.
Analfabetismo Político
Naturalizam como se fosse uma característica pessoal, uma falta de interesse ou capacidade do indivíduo. Dizem que “o povo não entende de política”, que “política é coisa complicada” e que “para que serve votar se tudo continua igual?”. Apresentam o analfabetismo político como uma fatalidade, como se houvesse pessoas destinadas a não compreender o mundo em que vivem, como se isso fosse uma escolha ou um traço de personalidade. Mas o analfabetismo político é, na verdade, um projeto ativo de desinformação e despolitização. O sistema neoliberal e o fascismo precisam de uma população que não saiba ler criticamente a realidade: que não entenda de onde vem a riqueza, como funcionam os juros da dívida, o que faz um banco central, para que servem os impostos, o que significa uma reforma tributária, como se financia a saúde pública. Quem não sabe disso não cobra, não se organiza, não reivindica. O analfabetismo político não é fruto da ignorância individual, mas da violência simbólica do sistema — que sobrecarrega as pessoas com trabalho exaustivo, alimenta a desinformação, simplifica o debate a slogans e transforma política em “coisa de ladrão”. O analfabetismo político é o solo fértil para o autoritarismo: uma população que não entende o jogo aceita qualquer governante que prometa “ordem”, desde que tire dela o peso de pensar.
Anarco-capitalismo
A utopia violenta de quem sonha com um mundo sem Estado, mas com propriedade privada absoluta. É o discurso do “empreendedor armado”, que quer privatizar até as calçadas e resolver conflitos no contrato e na bala. Na prática, é a ideologia dos senhores feudais modernos: imaginam-se reis de seus bunkers, livres de impostos e de leis, enquanto uma massa despossuída serve de mão de obra sem direitos. O Estado que eles negam é o que protege o trabalhador; o que eles amam é o que garante suas propriedades.
Antipetismo
Mais do que uma posição política contra um partido, o antipetismo foi transformado em identidade. É o ódio que unifica setores da classe média contra o “pobre que saiu do lugar”, contra o nordestino, contra a política social. Opera como um significante mestre: tudo de ruim no país é atribuído ao PT, mesmo fatos anteriores ou posteriores à sua existência. Esse ódio organizado serviu de massa de manobra para o golpe de 2016 e a eleição do fascismo, funcionando como um biombo moral para políticas de arrocho.
Antissistema
Na boca da nova direita, “antissistema” virou slogan de bilionários e herdeiros que posam de rebeldes. Gritam contra a “velha política” enquanto financiam campanhas e operam lobbies. O truque retórico é despolitizar a revolta legítima da população contra a desigualdade e canalizá-la para um líder salvador que, no fundo, defende exatamente a manutenção dos privilégios. Ser “antissistema” hoje é frequentemente o disfarce mais cínico do sistema.
Apagão de Mão de Obra
Eufemismo patronal para “tem vaga, mas o salário é tão ruim que ninguém quer”. Quando a mídia anuncia um “apagão de mão de obra”, está culpando o trabalhador por não se qualificar para um emprego que paga mal e exige experiência impossível. É uma chantagem que prepara o terreno para cortar direitos e importar mão de obra ainda mais barata. O “apagão” real é o de salários decentes.
Apartidarismo
Vendido como pureza cívica, o apartidarismo contemporâneo é profundamente político: prega que partidos são todos corruptos e que a solução é um líder técnico ou messiânico acima das disputas. Ao rejeitar a mediação partidária, rejeita-se a própria política democrática, abrindo espaço para a ditadura do gestor ou do salvador da pátria. É a ideologia dos que desprezam a política para fazer política contra o povo.
Apatia
Dizem que as pessoas não se interessam por política, que preferem cuidar da própria vida, que a política é suja e distante. Que é melhor cada um focar no seu. Mas a apatia é construída. Ela não é natural; é o resultado de cansaço físico e mental gerado pela sobrecarga de trabalho, pela insegurança, pela violência e pela falta de tempo. O sistema neoliberal sobrecarrega as pessoas para que não tenham energia para se organizar. A desinformação é alimentada para que você não entenda o que está acontecendo. A apatia é o terreno fértil para o autoritarismo — quando as pessoas estão exaustas e desinformadas, aceitam qualquer líder que prometa “ordem”, mesmo que essa ordem seja ditadura. A apatia é o silêncio que precede a barbárie.
Apropriação Cultural
Romantizam a cultura como um bem de todos, que o mercado permite que diferentes expressões se misturem e se popularizem. Que não há problema em incorporar elementos de outras culturas. Mas a apropriação cultural, no capitalismo, é a extração de riqueza simbólica de culturas oprimidas sem nenhum retorno para elas. O samba, o funk, o hip-hop, a culinária africana, os ritos indígenas são transformados em produtos vendidos por grandes empresas, enquanto os criadores originais continuam marginalizados. É o roubo da alma dos povos para alimentar o mercado.
Arbitragem de Conflitos
Apresentam a arbitragem privada como uma solução moderna, rápida e barata para resolver disputas trabalhistas, ambientais ou de consumo, em vez de recorrer à Justiça do Trabalho ou à Justiça comum. Que é mais rápido, mais barato e mais “moderno”. Mas a arbitragem privada é controlada por empresas e grandes escritórios de advocacia, que não são neutros. O trabalhador ou o consumidor, que já tem menos poder, entra em um jogo onde as regras favorecem quem paga. A arbitragem é uma forma de esvaziar a Justiça pública, tornando-a inacessível ou irrelevante. É a privatização da Justiça disfarçada de “modernização”.
Arbitragem Financeira
Apresentam a arbitragem financeira como uma ferramenta de mercado que ajuda a equilibrar preços entre diferentes mercados, trazendo eficiência e liquidez. Mas a arbitragem é especulação. Consiste em comprar barato num lugar e vender caro em outro, explorando diferenças de preço e regulamentação. É uma aposta com dinheiro alheio — muitas vezes, dinheiro público, de fundos de pensão, de poupança popular. A arbitragem desestabiliza economias: pode levar à desvalorização de moedas, à fuga de capitais, à crise cambial. Países pobres e com instituições frágeis são os que mais sofrem. A arbitragem não cria riqueza; redistribui riqueza dos mais fracos para os mais fortes.
Arbitrariedade
Alegam que as decisões tomadas pelas autoridades são técnicas, baseadas em critérios objetivos e no interesse público. Que não há favoritismo ou perseguição. Mas a arbitrariedade é a base do autoritarismo: decisões são tomadas sem critério claro, sem transparência, sem possibilidade de recurso. O governante decide como quer, quando quer, contra quem quer — e a lei serve apenas como fachada. A arbitrariedade permite prender sem prova, tributar sem justiça, beneficiar aliados sem critério. Ela é o oposto do Estado de Direito e prospera em regimes que desprezam a democracia.
Arrogância de Classe
Sustentam que quem chegou ao topo é porque mereceu, porque estudou, trabalhou duro ou teve visão. Que não há nada de errado em reconhecer o próprio sucesso. Mas a arrogância de classe é a expressão da ideologia dominante: os ricos se veem como superiores, e os pobres como inferiores ou preguiçosos. Esse discurso desumaniza os trabalhadores, naturaliza a desigualdade e justifica a violência estrutural. A arrogância de classe é a face da dominação que se sente no direito de desprezar.
Ascensão Social
“Ascensão social” é a expressão usada para falar da melhora da condição econômica de uma pessoa ou família. O discurso neoliberal costuma apresentá-la como resultado de esforço, mérito, estudo e empreendedorismo, como se todos tivessem as mesmas oportunidades. Na realidade, a classe social de origem pesa muito: quem nasce com dinheiro, boa educação, patrimônio e contatos parte de uma posição muito diferente de quem nasce na pobreza. Alguns conseguem ascender, mas são exceções, não prova que o sistema oferece oportunidades iguais para todos. Transformar essas exceções em regra serve para esconder as desigualdades estruturais e fazer com que os pobres sejam responsabilizados por uma situação gerada pelo capitalismo. O discurso neoliberal usa raros casos de mobilidade individual como prova de que o sistema funciona, escondendo que as regras do jogo mantêm a estrutura de classes intacta. A promessa de subir de vida é o lubrificante que faz o trabalhador aceitar a exploração hoje sonhando com um prêmio que a estatística nega. É o culto do indivíduo contra a organização coletiva.
Assédio Judicial
Quando um poderoso processa um jornalista, um ativista ou uma pequena publicação por “difamação”, o objetivo não é ganhar a causa, é intimidar e levar à falência. O opressor chama isso de “defesa da honra”. É uma técnica fascista clássica de usar o sistema judiciário como arma para amordaçar críticos, drenar energia financeira e enviar um recado: quem fala a verdade será destruído nos tribunais.
Assédio Organizacional
Glorificam a empresa como uma família, as metas como desafios para o seu crescimento, e a pressão como parte normal do “mundo corporativo”. Mas o assédio organizacional é um sistema estruturado de violência psicológica. Sobrecarga, humilhação, metas impossíveis, ameaças veladas, isolamento, exposição ao ridículo — tudo isso é usado para destruir sua autoestima, adoecê-lo e, muitas vezes, forçá-lo a pedir demissão, evitando que a empresa pague indenização. Não é um chefe “exigente”; é uma metodologia de controle e lucro. A empresa usa a saúde do trabalhador como moeda de troca. E quando você adoece — por estresse, depressão, burnout —, o discurso se volta contra você: “não soube lidar com a pressão”.
Assistencialismo
O termo é usado como xingamento contra qualquer política de transferência de renda. Quem diz “assistencialismo” quer insinuar que o pobre é vagabundo e vai se acomodar com a esmola do Estado. É uma inversão perversa: a fome não é o problema, o prato de comida é que é o perigo moral. Enquanto se debate se o auxílio desestimula o trabalho, ninguém pergunta se a riqueza herdada desestimula o mérito. Assistencialismo é o nome que o capital dá à sua má consciência tributária.
Ataque à Democracia
Convocam a nação para combater o inimigo interno, restaurar a ordem e “limpar” as instituições públicas. Que a democracia está corrompida e que é preciso um choque de autoridade para salvar a nação. Mas o ataque à democracia é o fascismo em ação. Ele tenta destruir instituições (Congresso, Justiça, imprensa, partidos) para concentrar poder nas mãos de um líder ou de um pequeno grupo. O discurso da “limpeza” é a justificativa para perseguição política, censura e violência. Ataque à democracia é o momento em que o autoritário deixa de fingir e age: fecha parlamento, prende opositores, controla a mídia. É o passo final de um processo que começa com a deslegitimação das instituições democráticas.
Ataque Especulativo
Parece um fenômeno natural do mercado, mas é uma operação de guerra. Grandes fundos apostam bilhões contra a moeda ou a dívida de um país para forçar uma desvalorização e lucrar com o caos. Depois, os mesmos operadores do ataque vêm oferecer a “solução”: mais cortes, mais privatizações, mais juros altos. É um assalto planejado que a mídia econômica noticia como “desconfiança do investidor”.
Ativismo Judicial
A acusação de “ativismo judicial” surge seletivamente. Juízes que garantem cotas, casamento igualitário ou direitos indígenas são “ativistas” que usurpam o legislativo. Mas juízes que flexibilizam a CLT, liberam agrotóxicos proibidos ou autorizam despejos coletivos são “técnicos imparciais”. É uma retórica reacionária para deslegitimar o único poder que, por vezes, freia as ações autoritárias. É o grito do opressor quando a justiça ousa não estar a seu serviço.
Ato Institucional
Apresentam como uma necessidade para momentos de crise, um ato de força para “restaurar a normalidade”. Que a democracia pode ser temporariamente suspensa para o bem da nação. Mas o ato institucional (como o AI-5 na ditadura brasileira) é o instrumento jurídico do golpe: dissolve o Congresso, cassa mandatos, suspende direitos, institucionaliza a tortura. Ele é apresentado como “medida excepcional”, mas sempre é usado para perpetuar o poder autoritário. Qualquer discurso contemporâneo que defenda “medidas excepcionais” deve ser lido como uma ameaça à democracia.
Atração de Investimentos
O eterno pretexto para leiloar o país. Para “atrair investimentos”, governos neoliberais oferecem isenção fiscal bilionária, removem proteções ambientais, arrocham salários. O investimento vira um fetiche: nunca se pergunta que tipo de investimento, a que custo, para quem. A cidade vira uma “parceria público-privada” onde o povo entra com o terreno e o investidor, com o lucro. É a reinvenção da colonização com linguagem corporativa.
Autonomia
Ensinam que você deve ser autônomo, empreendedor, dono do seu próprio negócio. Pintam o trabalhador autônomo como um herói moderno — o “fazendeiro do seu próprio destino”. Que a autonomia é a verdadeira liberdade, a saída para o desemprego e a realização pessoal. Mas autonomia, nesse discurso, é um álibi para a retirada de direitos. Você é jogado no mercado sem rede de proteção: sem vínculo empregatício, sem férias remuneradas, sem 13º salário, sem FGTS, sem aposentadoria. O entregador de aplicativo, que é “autônomo”, não pode parar de rodar se estiver doente, porque não ganha se não trabalha. A autonomia neoliberal é solidão e precariedade, disfarçadas de liberdade. E, pior: você é responsabilizado por tudo. Se não conseguir se sustentar, a culpa é sua — “não teve visão empreendedora”.
Autonomia do Banco Central
O mantra sagrado do mercado financeiro. “Autonomia” aqui significa blindar a política monetária da vontade popular. Quem decide a taxa de juros (que define se há emprego ou recessão) não pode ser eleito nem demitido pelo povo. É a retirada de um pedaço enorme da democracia das mãos da política e sua entrega a técnicos formados no credo do “choque de juros”. A autonomia é do capital contra o voto. Pergunte a si mesmo: por que a política de juros não pode ter debate democrático?
Autoestima (como imperativo neoliberal)
No discurso dos coaches e influenciadores digitais, a autoestima deixou de ser um afeto saudável para virar um mandamento: “Você precisa se amar mais”, “Acredite em você”, “Sua autoestima define seu sucesso”. A armadilha é dupla: primeiro, transfere para o indivíduo a responsabilidade por problemas estruturais (você está desempregado porque não se ama o suficiente); segundo, transforma o amor-próprio em mais uma meta inalcançável que gera culpa. É a autoestima como técnica de autocobrança. Quem falha em ter “autoestima alta” sente que falhou como pessoa — e consome mais coaching.
Autorregulação do Mercado
Mito fundante do neoliberalismo: o mercado seria uma entidade mágica que se corrige sozinha. Quando um rio é envenenado ou um banco quebra, a realidade desmente a lenda, mas o dogma permanece. Na prática, “autorregulação” significa ausência de freio estatal para que os tubarões nadem à vontade. É a ideologia que deixa a raposa tomar conta do galinheiro e ainda a chama de “eficiência”.
Austeridade
Pregam que é preciso apertar o cinto, cortar gastos públicos e equilibrar as contas do Estado. Apresentam a austeridade como uma necessidade técnica, inevitável, como se fosse uma lei da natureza — choveu, molhou; gastou, aperta. Usam palavras como “responsabilidade fiscal” e “equilíbrio” para dar um ar de neutralidade científica a uma escolha política. Mas a austeridade é, na verdade, um projeto de classe: corta direitos dos trabalhadores e dos pobres enquanto mantém — e muitas vezes amplia — os privilégios dos ricos e das grandes corporações. Quando o governo diz que não há dinheiro para saúde, educação ou moradia, sempre há dinheiro para salvar bancos, para isentar grandes empresas de impostos, para pagar juros da dívida pública. Austeridade não é falta de recursos; é escolha de onde gastar. E a escolha é sempre contra os que mais precisam.
Autoridade
Proclamam que é preciso respeitar a hierarquia, obedecer às lideranças e manter a ordem. Que sem autoridade, há caos. Que as instituições e os superiores devem ser obedecidos porque representam a lei e a estabilidade. Usam o discurso da “lei e ordem” para justificar qualquer medida. Mas a “autoridade” é invocada seletivamente: só vale quando quem está no poder quer. A ordem que defendem é a ordem que interessa a quem já manda. Autoridade, nesse uso, não tem a ver com competência, justiça ou legitimidade democrática — é obediência cega. Questionar vira desrespeito. Desobedecer vira crime. E, no limite, a autoridade se torna autoritarismo: a voz do líder é a lei, e não há apelo. Esse discurso serve para silenciar críticas e impedir que a população questione as decisões que afetam suas vidas.
Autoritarismo
Defendem a liderança forte como única saída para garantir a ordem, a estabilidade e o progresso. Que as liberdades podem ser temporariamente restringidas para o bem comum. Mas o autoritarismo concentra todo o poder em uma pessoa ou grupo, eliminando a participação popular, os controles democráticos e os direitos individuais. O “bem comum” é sempre definido pelo governante, e a oposição é tratada como traição. Autoritarismo é o regime onde o Estado não serve ao povo, mas o povo serve ao Estado. Ele se disfarça de “ordem” para impor a vontade de poucos sobre muitos.
Autossabotagem
Outra joia do vocabulário coach. “Você está se autossabotando” é a frase mágica que explica qualquer fracasso sem precisar mencionar desemprego estrutural, racismo, machismo ou exploração. Se você não conseguiu a vaga, a promoção, o relacionamento ou a felicidade, a culpa é de um “sabotador interno”. A cura? Mais cursos, mais coach, mais disciplina. É o neoliberalismo psíquico perfeito: internaliza o inimigo e vende a falsa promessa de que basta reprogramar a mente para vencer o sistema — sem nunca enfrentar o sistema.
Avaliação de Desempenho
No setor público, a “avaliação de desempenho” vira muitas vezes um chicote eletrônico. Promete meritocracia, mas é usada para precarizar: metas impossíveis, bonificações que dividem a categoria, humilhação de quem não bate o número. Transforma o trabalho em gincana e o trabalhador em rival do colega. A solidariedade de classe é trocada pela competição de todos contra todos, tudo em nome da “produtividade”.
Aversão ao Risco
Defendem como virtude a previsibilidade do mercado, que não se pode arriscar mudanças, que é melhor manter o que está aí do que experimentar algo novo. Que qualquer alteração pode trazer instabilidade. Mas “aversão ao risco” significa, na prática, defender o status quo que beneficia os ricos. O “risco” que eles temem não é a instabilidade econômica abstrata — é qualquer política que ameace seus privilégios. Uma reforma agrária? Risco. Taxar grandes fortunas? Risco. Aumentar salário mínimo? Risco. A aversão ao risco é um discurso conservador que congela o presente e impede qualquer transformação. Para quem sofre com o sistema, o verdadeiro risco é continuar como está. Mas os donos do poder não querem mudanças — porque já estão bem servidos. Na língua do investidor, “aversão ao risco” é o humor instável de quem detém o capital. Quando o humor é bom, há investimento; quando é ruim, exigem juros altos e cortes sociais. É uma chantagem psicológica permanente: o país deve seguir a cartilha para não “espantar o investidor”. O trabalhador não tem esse luxo. O risco de perder o emprego, a casa, a vida — isso não entra na equação. “Aversão ao risco” é soberania do rentista sobre a democracia.
Amor (como slogan político)
“O amor venceu”, “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, “Pátria, família e amor”. Na extrema direita, o amor é despolitizado e transformado em mercadoria eleitoral. É um amor excludente: ama-se a família tradicional, a pátria mítica, o líder salvador. Quem está fora disso — o negro, o LGBTQIA+, o sem-terra, a feminista — não é amado, é combatido. É a estetização do afeto que esconde uma política de ódio. Como disse Freud, o amor ao líder une a tribo, mas o preço é a renúncia ao pensamento crítico.
Anticristo (como figura política)
Na teologia política neopentecostal, o Anticristo não é mais uma figura escatológica distante: ele está encarnado em adversários políticos concretos. Lula, o comunismo, o Papa Francisco (para alguns), a ONU — todos já foram apontados como “preparação para o Anticristo”. É o delírio religioso a serviço da mobilização eleitoral: transforma o voto em batalha cósmica entre Deus e o Diabo. Quem vota na esquerda não está apenas errado; está servindo ao demônio. Assim se elimina qualquer possibilidade de debate racional.
Antifrágil
Termo importado do coach Nassim Taleb e adotado por influenciadores digitais da machosfera e do empreendedorismo neoliberal. “Seja antifrágil” significa: não reclame, não peça ajuda, não dependa de ninguém. A crise não te enfraquece, te fortalece. É a versão turbinada da resiliência: o indivíduo deve amar o caos porque ele o “purifica”. Psicanaliticamente, é o delírio de invulnerabilidade do eu que nega a dependência do outro e a fragilidade constitutiva da vida. Na prática, justifica que o Estado te abandone: se você sofre, é porque não era “antifrágil” o suficiente.
Aparelhamento do Estado
Na retórica dos movimentos de extrema direita, o Estado estava “aparelhado” pelo PT, por comunistas, por “ideólogos de gênero”. “Desaparelhar” virou sinônimo de demitir, perseguir e substituir técnicos por indicados ideológicos. Mas o aparelhamento nunca é denunciado quando militares ocupam cargos civis, quando pastores controlam ministérios ou quando a família do presidente emprega dezenas de parentes. “Aparelhamento” é o que o outro faz.
Arrependimento (como produto midiático)
Nas igrejas neopentecostais midiáticas e entre influenciadores “ex-gays”, o arrependimento virou espetáculo. O “ex-traficante”, o “ex-gay”, o “ex-feminista” sobem ao palco, contam sua história de degradação e choram. A catarse emocional vira prova da verdade religiosa. Mas é um arrependimento que nunca questiona a estrutura: o traficante se arrepende, mas não a polícia que mata; o gay se arrepende, mas não o pastor que prega ódio. É a gestão neoliberal do pecado: individualiza-se o problema e vende-se a solução pronta.
Arminha (gesto/ "arminha com as mãos")
O gesto de simular uma arma com os dedos virou símbolo da campanha bolsonarista e da extrema direita. Representa a fantasia de onipotência do “cidadão de bem armado” que resolve sozinho seus problemas. Psicanaliticamente, é um fetiche fálico: a arma como prótese de poder, que compensa a impotência real diante da precariedade da vida. A “arminha” infantiliza a violência, transforma arma em identidade e naturaliza a ideia de que matar é solução. A criança que faz “arminha” está sendo treinada para desejar a morte do outro.
Avivamento (político)
Originalmente um termo teológico para designar um despertar religioso, o “avivamento” foi sequestrado pelo neopentecostalismo político. Agora, significa “tomar o poder em nome de Deus”. Não se trata mais de converter corações, mas de ocupar o Congresso, o STF, as prefeituras. O “avivamento” é a justificativa espiritual para o projeto de poder: Deus está levantando um exército de “soldados de Cristo” para governar. Quem se opõe não é adversário político, é inimigo de Deus. A teologia do avivamento é o braço místico do autoritarismo.
